ComicInk Logo
/11
A QUARTA EM QUE O BOTECO JÁ ESTAVA EM CLIMA DE 9 DE JULHO

A quarta em que o boteco já estava em clima de 9 de Julho

Uma comédia paulistana de inverno sobre a quarta à noite em que um boteco de esquina já parecia ter aberto o feriado de 9 de Julho.

Numa quarta-feira fria antes do 9 de Julho, um boteco de esquina em São Paulo vira o começo não oficial do feriado. A noite segue o ritmo paulistano: mesas arrastadas para a calçada, pedidos de pastel e chope se acumulam, e clientes que juraram ficar só para uma bebida se veem presos no clima irresistível de folga iminente. Entre discussões sobre quem vai acordar cedo amanhã e quem simplesmente desaparecerá, casacos pendem dos ombros e a cidade inteira parece soltar seu primeiro grande suspiro de liberdade.

ComedyRealisticPortuguese10 pages
▸ CAST

CHARACTERS

Mulher do Casal

supporting

Uma mulher de 30 a 40 anos, com cabelo preto longo e ondulado que flui livremente. Ela tem olhos castanhos escuros e pele morena. Sua constituição é curvilínea. Veste uma blusa de tecido leve e uma saia longa estampada. Sua expressão é suave e afetuosa, com um sorriso gentil e olhos que irradiam alegria ao interagir com seu parceiro. Ela beija o homem na bochecha com carinho.

Cliente 1

minor

Um homem de cerca de 30 a 35 anos, com braços musculosos e tatuados que são visíveis sob sua camiseta branca justa. Tem cabelo preto curto e bagunçado, barba por fazer e olhos escuros cheios de vivacidade. Sua pele é bronzeada. Ele gesticula com entusiasmo, com uma expressão alegre e um sorriso largo. Usa jeans e tênis.

Homem com Barba Comprida

supporting

Um homem de cerca de 30 a 40 anos, com cabelo castanho escuro comprido que chega aos ombros e uma barba cheia e bem cuidada. Ele tem olhos escuros e uma pele morena. Sua constituição é média. Veste uma camisa xadrez escura e calças jeans. Sua expressão é calma e sorridente, com um ar contemplativo, desfrutando da companhia de sua parceira e do ambiente ao redor. Usa um relógio de pulso simples.

Garçom

supporting

Um homem de meia-idade, com cerca de 40 a 50 anos, de estatura e constituição médias. Tem cabelo castanho escuro curto e bem cuidado, olhos castanhos e pele morena clara. Veste um avental branco sobre uma camisa de botão clara, com as mangas arregaçadas, e calças escuras. Sua postura é ágil e eficiente, sempre em movimento, carregando copos e pratos. Parece cansado, mas experiente.

Jovem

supporting

Um homem jovem, com cerca de 25 anos, de constituição esguia. Tem cabelo preto liso e despenteado, que cai sobre a testa, e olhos escuros expressivos. Sua pele é clara. Veste uma camiseta preta simples e calças jeans. Ele carrega uma mochila pequena. Sua expressão varia de preocupada a aliviada e, finalmente, alegre.

Colega Louro

supporting

Um homem jovem, com aproximadamente 25 a 30 anos, de estatura média e constituição atlética. Ele tem cabelo loiro curto e bagunçado, olhos azuis claros e uma pele bronzeada. Veste uma camisa social de cor clara, com os primeiros botões abertos, e calças cáqui. Sua expressão é desafiadora, mas divertida, com um sorriso confiante.

PAGE 1

Panel 1:Uma rua de São Paulo vista de cima. Casarões antigos e prédios baixos alinhados em perspectiva. O boteco de esquina tem fachada verde desgastada, letreiro simples acima da porta. Primeiro clientes chegando: dois homens em camisas de trabalho dobradas nos cotovelos, uma mulher com bolsa de trabalho, todos com o olhar direcionado para a porta do boteco. O céu está nublado, luz fria da tarde caindo sobre o asfalto molhado. Trânsito leve ao fundo.

Narrator:Quarta-feira. A véspera oficial do feriado ainda é amanhã, mas toda São Paulo já sabe: o boteco de esquina na Rua Augusta já está em clima de 9 de Julho.

Panel 2:Interior do boteco. Balcão de madeira escura com espelho atrás. Garçom de avental branco está secando copos. Primeiros clientes puxando cadeiras de plástico de encosto alto. As mesas ainda estão do lado de dentro, mas há movimento de preparação. Lâmpadas amarelas do teto criam uma aura quente contra o cinza exterior.

Garçom: Vão ficar dentro ou já arrasto as mesas pra fora?

Panel 3:Um cliente de camiseta branca e braço tatuado apoia-se no balcão, rindo. Gesto amplo com a mão apontando para a rua.

Cliente 1: Pra fora, claro! Hoje a gente respira esse ar de São Paulo!

Panel 4:Vista externa do boteco. Primeira mesa de plástico vermelha sendo arrastada pela calçada. Dois garçons a empurram. A rua está ganhando movimento — mais gente chegando, alguns já com copos de chope nas mãos. Casacos começam a aparecer pendurados nas costas das cadeiras.

Panel 5:Close em um prato de pastel frito sendo colocado sobre a mesa. Vapor sobe do alimento. Ao fundo, desfocado, clientes levantam copos de chope em brinde.

Garçom: Primeiro pastel da noite! Faltam mais cinco pedidos já.

Panel 6:Panorâmica da calçada do boteco. Agora há cinco mesas ocupadas. Casacos pendurados em cadeiras. Copos de chope em várias mesas. Conversas animadas. Um homem de terno — ainda de trabalho — está tirano o paletó. A noite começa a cair, luzes do boteco se destacam mais contra o crepúsculo.

Homem de Terno: Falei pro chefe que ia ficar só até as seis... Colega ao Lado: Claro que fica até as oito!

Narrator:A primeira cerveja é sempre a mais perigosa.

PAGE 2

Panel 1:Plano fechado em duas mulheres sentadas de frente uma para a outra. Uma tem cabelo preto curto, a outra cabelo comprido amarrado. Ambas com copos de chope. Expressões animadas, gesticulando enquanto conversam.

Mulher de Cabelo Curto: Amanhã acordo cedo pra ir na missa de ação de graças. Mulher de Cabelo Comprido: Que nada, você some aqui em cinco minutos!

Panel 2:Mulher de cabelo curto rindo, negando com a cabeça. Levanta o copo em um brinde.

Mulher de Cabelo Curto: Juro que dessa vez é diferente!

Panel 3:Panorâmica da rua. Agora o boteco está realmente cheio. Oito mesas na calçada. A rua começou a se encher de gente que passa — alguns entram no boteco, outros seguem adiante. Casacos de todos os tamanhos pendem das cadeiras. Garçons correm entre as mesas com bandejas de chope e pastel. Neon de lojas vizinhas começa a brilhar contra o azul escuro do céu.

Narrator:Às sete da noite, o boteco virou um fenômeno.

Panel 4:Um homem de meia-idade com barba grisalha está em pé ao lado de sua mesa, copo em uma mão, apontando para o colega à sua frente. Seu rosto mostra entusiasmo. Ao fundo, mais clientes em várias mesas.

Homem com Barba: Isso aqui é o espírito de São Paulo, meu! Simples, direto, sem frescura!

Panel 5:Close em uma mão pegando um pastel quente de um prato. Queijo derretido aparece na quebra. Vapor sobe. Ao fundo, desfocado, mais clientes e copos de chope.

Panel 6:Visão geral do boteco agora lotado. Pelo menos dez mesas na calçada. Conversas sobrepostas. Um grupo canta uma música baixo. Casacos por toda parte. Garrafas vazias de chope começam a se acumular. A noite está preta. Neon das lojas próximas ilumina a cena com cores — azul, vermelho, amarelo.

Garçom: Mais dez chopes! E mais pastéis saindo da cozinha!

Narrator:Ninguém planejou isso. Ninguém precisa planejar. É quarta-feira antes do 9 de Julho em São Paulo.

PAGE 3

Panel 1:Um jovem de uns vinte e cinco anos, cabelo despenteado, camiseta preta, está sentado em uma cadeira de plástico vermelha. Olha para seu celular com expressão preocupada. Copos vazios ao seu redor.

Jovem: Meu chefe vai me matar amanhã se eu faltar...

Narrator:Mas mesmo sabendo que não deveria estar aqui...

Panel 2:Um colega sentado à sua frente — cabelo louro, camisa social — levanta seu copo em um brinde. Expressão desafiadora e divertida.

Colega Louro: Esqueça o chefe! Hoje é dia de São Paulo, não de trabalho!

Panel 3:O jovem sorri, coloca o celular na bolsa. Pega seu copo e o levanta em brinde com o colega. Seus rostos se aproximam, copos se tocam.

Jovem: Tá certo. Só mais uma.

Panel 4:Panorâmica: o boteco agora está em seu apogeu. Mais de quinze mesas. Gente em pé entre as mesas. Conversas altas. Risadas. Um casal está de mãos dadas. Casacos por toda parte. A rua inteira parece fazer parte do boteco. Garçons correm com bandejas. O neon das lojas cria um ambiente quase de festa.

Narrator:...todo paulista sabe: amanhã é feriado, e hoje é o dia de viver como se não houvesse amanhã.

Panel 5:Close em uma mulher de uns trinta anos, cabelo encaracolado, sorrindo largamente. Ela está com o copo de chope levantado, ao lado de uma amiga. Ambas riem.

Mulher Encaracolada: Feriado de verdade começa agora!

Panel 6:Visão aérea do boteco. A rua inteira ao redor parece transformada. Mesas em semicírculo. Pessoas em pé conversando entre as mesas. Casacos pendurados. Garrafas vazias se acumulam. A cidade de São Paulo ao fundo, com seus prédios altos e luzes. O boteco é um oásis de calor e vida em meio à metrópole noturna.

Narrator:Porque em São Paulo, o feriado não começa no calendário. Começa aqui.

PAGE 4

Panel 1:Um homem de uns quarenta anos, cabelo grisalho, rosto cansado mas sorridente, está sentado em uma cadeira. Ao seu lado, uma mulher de meia-idade com cabelo pintado de louro. Ambos com copos de chope. O homem olha para o relógio em seu pulso.

Homem Grisalho: Dez da noite. Falei pro meu filho que ia jantar em casa.

Panel 2:A mulher ao seu lado sorri e coloca a mão no ombro dele.

Mulher Loura: Seu filho vai entender. A gente só vive uma vez!

Panel 3:O homem sorri, pega seu copo e toma um gole. Seu rosto mostra alívio e resignação. Ao fundo, o caos controlado do boteco continua.

Panel 4:Panorâmica do boteco em seu pico. Mesas se espalham pela calçada e até alguns metros na rua. Garçons correm entre clientes. Garrafas vazias de chope formam pilhas. Pratos vazios se acumulam. A energia é frenética mas alegre. Alguns clientes estão em pé, conversando de pé entre as mesas.

Garçom: Último pastel saiu! Mais chope pra todo mundo!

Narrator:Nesse momento, não há patrão. Não há trabalho. Não há amanhã.

Panel 5:Close em um copo de chope sendo colocado na mesa. A espuma transborda um pouco. A mão do garçom está visível. Ao fundo, desfocado, mais clientes e risos.

Panel 6:Vista frontal do boteco de esquina. A fachada verde está totalmente cercada de gente. Mesas na calçada, gente em pé, casacos pendurados. O letreiro do boteco brilha. A rua ao redor está transformada. Prédios normais de São Paulo ao fundo, mas aqui é diferente — aqui é celebração.

Narrator:Aqui há apenas o presente.

PAGE 5

Panel 1:Um idoso de cabelo branco está sentado em uma cadeira de plástico vermelha, copo de chope em sua mão enrugada. Seus olhos estão fechados, rosto relaxado, sorriso suave. Ao fundo, o caos do boteco continua, mas ele está em seu próprio mundo.

Narrator:Para alguns, é nostalgia. Para outros, liberdade. Para todos, é São Paulo.

Panel 2:Duas garotas de uns vinte anos estão em pé, copos na mão, conversando animadamente. Uma tem cabelo rosa, a outra cabelo preto com mechas azuis. Ambas riem. Casacos pendurados em cadeiras próximas.

Garota com Cabelo Rosa: Meu Deus, que noite incrível! Garota com Cabelo Azul: E ainda nem é feriado de verdade!

Panel 3:Um casal está sentado de mãos dadas em uma mesa. O homem tem barba e cabelo comprido. A mulher tem cabelo solto. Ambos olham um para o outro, sorridentes, alheios ao caos ao redor. Casacos pendurados atrás deles.

Homem com Barba Comprida: Que momento perfeito, né?

Panel 4:A mulher do casal sorri e beija o homem na bochecha. Ambos riem. Ao fundo, o boteco continua seu caos ordenado.

Panel 5:Panorâmica do boteco por volta das onze da noite. Ainda cheio, mas alguns clientes começam a demonstrar sinais de cansaço. Alguns copos estão menos cheios. A energia continua alta, mas há momentos de pausa entre as conversas. Casacos se acumulam. Garrafas vazias formam torres.

Garçom: Última rodada, pessoal? Já passa das onze!

Panel 6:Close em vários clientes gritando em protesto ao garçom.

Cliente 1: Última rodada? Não! Mais uma! Cliente 2: A noite é jovem! Cliente 3: Feriado não espera!

PAGE 6

Panel 1:O garçom levanta as mãos em rendição, sorrindo. Ele sabe que perdeu essa batalha. Ao seu redor, clientes levantam copos em vitória.

Garçom: Tá bom, tá bom! Mais uma rodada então!

Panel 2:Visão geral do boteco agora por volta da meia-noite. Mesas espalhadas pela calçada. Gente em pé. Casacos por toda parte. Garrafas vazias. O boteco atingiu seu pico de ocupação. A energia é quase tangível. Neon das lojas vizinhas cria um ambiente onírico.

Narrator:Meia-noite. O feriado ainda não começou oficialmente, mas aqui, ele já está em pleno curso.

Panel 3:Um homem de uns cinquenta anos, com cabelo grisalho e barba bem aparada, está em pé segurando um copo de chope. Ele observa a cena ao seu redor com um sorriso nostálgico. Seu rosto mostra contemplação.

Homem Contemplativo: Isso aqui é o melhor do Brasil, meu. Gente simples, cerveja gelada, amizade.

Panel 4:Seu amigo, um homem mais jovem de cabelo preto, levanta o copo em brinde.

Amigo Jovem: E São Paulo! Não esquece de São Paulo!

Panel 5:Ambos batem os copos um contra o outro. A espuma de chope espirra levemente. Ao fundo, a festa continua. Casacos pendurados. Gente rindo. Garçons correndo. O boteco é uma máquina de celebração.

Panel 6:Panorâmica final da página: o boteco de esquina está irreconhecível de quando começou. Agora é uma festa de rua. Mesas em todos os ângulos. Gente em pé. Casacos pendurados em todos os lugares. Garrafas vazias de chope formam fileiras. Pratos vazios se acumulam. A rua inteira foi tomada. O neon das lojas próximas cria cores — azul, vermelho, amarelo — sobre a cena. A energia é palpável.

Narrator:Porque São Paulo não precisa de motivos para celebrar. São Paulo é o motivo.

PAGE 7

Panel 1:Transição para um momento mais calmo. Uma garota de uns vinte anos está sentada sozinha em uma cadeira, copo de chope vazio em sua mão. Ela olha para a rua, pensativa. Seu casaco está pendurado na cadeira. Ao fundo, o boteco continua animado, mas há um contraste — ela está em seu próprio mundo.

Narrator:Mas em toda celebração, há quem reflita.

Panel 2:Close no rosto da garota. Seus olhos estão fixos em algo distante. Expressão madura, contemplativa. Ela tem um sorriso leve nos lábios, mas há melancolia nele.

Garota Pensativa: Amanhã tudo volta ao normal...

Panel 3:Um homem mais velho, talvez seu pai, está ao seu lado. Ele coloca a mão em seu ombro. Seu rosto mostra compreensão e carinho.

Pai: Sim, mas hoje ainda é hoje. Aproveita.

Panel 4:A garota sorri genuinamente. Seu pai levanta seu copo. Ela pega seu copo vazio e o levanta também. Ambos brinda.

Garota Pensativa: É verdade, pai. Obrigada.

Panel 5:Panorâmica do boteco agora por volta da uma da manhã. A festa continua, mas há uma mudança sutil. Alguns clientes começam a juntar seus casacos. Alguns copos estão mais vazios. A intensidade continua, mas há um senso de ciclo — o início do fim, embora ninguém queira admitir.

Narrator:Porque em São Paulo, até as celebrações têm ritmo. Têm pulsação. Têm alma.

Panel 6:Close em um relógio de parede dentro do boteco. Mostra uma da manhã. Ao fundo, desfocado, clientes ainda animados, mas o tempo marca sua passagem.

PAGE 8

Panel 1:O jovem que estava preocupado com o trabalho na página anterior agora está em pé, casaco na mão. Ele conversa com seu colega louro. Ambos têm expressões de quem sabe que é hora de ir, mas não quer admitir.

Jovem: Acho que era pra gente ir indo... Colega Louro: Só mais um chope? Pra encerrar bem?

Panel 2:O jovem sorri, negando com a cabeça. Ele coloca o casaco nos ombros.

Jovem: Não, cara. Tenho que acordar cedo. Pra valer dessa vez.

Panel 3:Seu colega levanta seu copo em um último brinde. Expressão de 'tudo bem, você vai embora, mas eu fico'.

Colega Louro: Sua perda, meu. Aproveita o feriado!

Panel 4:Panorâmica do boteco agora com menos mesas. Alguns clientes já se foram. As mesas que restam estão mais espalhadas. O caos organizado virou uma cena mais calma, mas ainda animada. Casacos pendurados em menos cadeiras. Garrafas vazias se acumulam no chão.

Narrator:Nem todos conseguem sair. Nem todos querem.

Panel 5:Close em um grupo de três pessoas — dois homens e uma mulher — que estão em pé, levantando copos de chope em um brinde final. Seus rostos mostram alegria, mas também cansaço. Casacos pendurados atrás deles.

Homem 1: Ao feriado! E a São Paulo! Mulher: E a gente que conseguiu chegar aqui! Homem 2: Juntos!

Panel 6:Vista aérea do boteco agora bastante esvaziado em comparação com seu pico. Talvez cinco mesas restantes. Casacos pendurados em poucas cadeiras. Garçons começam a limpar. Garrafas vazias estão sendo recolhidas. A festa está se dissipando, mas não morreu. A noite ainda é jovem para alguns.

Narrator:Porque em São Paulo, o feriado não termina quando você vai embora. Ele continua.

PAGE 9

Panel 1:O boteco agora está quase vazio. Apenas um casal permanece, o mesmo que estava de mãos dadas. Eles estão sentados, copos de chope ainda nas mãos, mas vazios. Olham um para o outro, sorrindo. Casacos pendurados nas cadeiras. O boteco ao fundo está sendo limpo.

Narrator:Alguns permanecem até o final.

Panel 2:O homem do casal levanta sua mão e aponta para o relógio em seu pulso. Mostra três da manhã.

Homem com Barba Comprida: Três da manhã. Conseguimos!

Panel 3:A mulher sorri e beija o homem novamente. Ambos riem baixo. Ao fundo, o boteco está quase vazio. Apenas o garçom está limpando as mesas.

Mulher do Casal: A gente é louco!

Panel 4:Panorâmica do boteco praticamente vazio. Apenas duas mesas ainda têm gente. O garçom está limpando. As luzes do boteco parecem mais brilhantes agora que há menos gente. Casacos pendurados em poucas cadeiras. Garrafas vazias formam pilhas sendo recolhidas.

Narrator:Porque São Paulo não dorme quando há celebração.

Panel 5:Close no garçom, que está secando os copos que restaram. Seu rosto mostra cansaço, mas também satisfação. Ele sorri para si mesmo.

Garçom: Que noite... Que noite...

Panel 6:Vista final do boteco. A fachada verde ainda está iluminada, mas a maioria das mesas foi recolhida. Apenas uma mesa permanece na calçada, com o casal que ficou até o final. A rua ao redor está vazia. Os prédios de São Paulo ao fundo estão escuros. A noite está em seu auge silencioso. O boteco é um oásis de luz em meio à escuridão.

Narrator:E quando finalmente chega a hora de parar, São Paulo já respira diferente.

PAGE 10

Panel 1:O casal finalmente se levanta. Casacos nos ombros. Copos vazios na mesa. O garçom acena para eles da porta do boteco. Eles aceniam de volta. A rua ao fundo está completamente vazia. O céu ainda é negro, mas há um toque de azul muito longe — o amanhecer está chegando.

Garçom: Até amanhã, galera! Ou melhor, até hoje!

Panel 2:Close no rosto do casal enquanto caminha pela rua vazia. Ambos estão rindo, cansados, mas felizes. Seus casacos estão nos ombros. Ao fundo, a rua de São Paulo está vazia e silenciosa.

Mulher do Casal: Que noite perfeita...

Panel 3:Panorâmica da rua de São Paulo ao amanhecer. O céu está começando a ficar azul. As luzes das lojas começam a piscar e desligar. O boteco ainda está iluminado, mas isolado. A rua está vazia. A cidade está dormindo, mas há um senso de que algo mudou. O feriado começou.

Narrator:Porque o feriado não é um dia no calendário.

Panel 4:Close no rosto do garçom dentro do boteco. Ele está tirando seu avental. Seu rosto mostra cansaço absoluto, mas também satisfação profunda. Ele olha pela janela para a rua vazia.

Garçom: Consegui. Mais um feriado bem vivido.

Panel 5:Vista aérea do boteco de esquina ao amanhecer. As mesas foram todas recolhidas. O boteco está fechado. Casacos pendurados dentro ainda são visíveis pela janela. A rua ao redor está completamente vazia. O céu está ficando azul. A cidade está acordando lentamente. O boteco é um símbolo silencioso de tudo que aconteceu.

Narrator:O feriado é um sentimento.

Panel 6:Visão final: o boteco de esquina com sua fachada verde, agora fechado, com as luzes internas ainda acesas mas ninguém lá. A rua ao seu redor está vazia. O céu é azul claro agora — é manhã de feriado. Prédios de São Paulo ao fundo. O boteco permanece como um monumento silencioso de uma noite que não será esquecida. A cena é calma, contemplativa, repleta de significado.

Narrator:E em São Paulo, aquele boteco de esquina será sempre o começo não oficial de cada feriado. Porque lá, a gente vive antes de dormir.

▸ MORE LIKE THIS

KEEP READING

Turn this comic into a film