Balcão de Dia dos Pais
Esta história se apoia num ritual urbano muito reconhecível do Brasil em agosto: os presentes de Dia dos Pais resolvidos no comércio de bairro, no meio da rotina da semana. Em vez de recorrer a uma fila genérica ou a um simples incômodo cotidiano, a comédia nasce de uma preparação social concreta. A papelaria com serviço de impressão de fotos, molduras, cartões e embrulho se transforma, numa quinta-feira fria, em ponto de encontro de famílias, vizinhos e crianças que tentam montar presentes com alguma personalidade antes do domingo. Uma pessoa quer imprimir uma foto do churrasco da família; outra descobre que esqueceu o cartão; uma avó decide acrescentar um recado mais formal; duas crianças disputam a caneta dourada; alguém pede fita azul-marinho porque o pai não gosta de vermelho; o atendente conhece metade da clientela e tenta manter a ordem entre envelopes, molduras, canecas e pacotes. O humor vem da soma de capricho, memória e improviso, mostrando como um pequeno balcão de bairro consegue concentrar afeto, pressa e opinião em doses bem brasileiras às vésperas do Dia dos Pais.
Uma quinta-feira fria de agosto transforma a papelaria de bairro em caos organizado. O atendente tenta gerenciar a fila de clientes que chegam para preparar presentes de Dia dos Pais: irmãos brigam sobre qual foto do churrasco fica melhor na moldura, avós pedem para plastificar bilhetes emocionados, crianças escolhem canetas metálicas, vizinhos procuram papel de presente de última hora. Entre risos, atrasos e afeto genuíno, o balcão vira centro de operações de presentes feitos na corrida, mas com toda intenção do mundo.
CHARACTERS
Dona Marta
supporting
Homem 2
supporting
Mãe
supporting
Homem 1
supporting
Sr. Paulo
minor
Avó Maria
supporting
Criança 1
supporting
Criança 2
supporting
Vizinha Rita
minor
Atendente
supporting
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Panel 1:Uma papelaria de bairro vista de fora. Vitrines com molduras, canetas e papel de presente expostos. A porta está aberta. Letras na janela indicam 'Balcão de Fotos'. A rua é vazia e cinzenta, o tempo está frio. Folhas secas no chão.
Panel 2:Interior da papelaria. Um atendente em pé atrás do balcão, organizando canetas em um pote. Prateleiras ao fundo com molduras, xícaras, papel de presente. Tudo limpo e em ordem. Nenhum cliente ainda.
Panel 3:A porta da papelaria abre. Uma mulher de meia-idade entra, carregando uma pasta com fotos impressas. Ela caminha em direção ao balcão com expressão decidida.
“Dona Marta: Oi, querido. Preciso imprimir mais uma foto.”
Panel 4:O atendente olha para Dona Marta com um sorriso. Ela abre a pasta mostrando várias fotos do mesmo churrasco, todas com ângulos ligeiramente diferentes.
“Atendente: Boa tarde, Dona Marta. Qual é a foto?”
Panel 5:Dona Marta aponta para uma foto do churrasco enquanto fala. Suas mãos tremem ligeiramente de emoção. A foto mostra um homem mais velho rindo, segurando uma cerveja.
“Dona Marta: Essa aqui. Para o presente do seu pai. Fica melhor assim, né?”
Panel 6:O atendente pega a foto e coloca na máquina de impressão. Dona Marta observa, apoiada no balcão, esperando. Sua expressão é serena mas expectante.
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Panel 1:A máquina de impressão zumbe. Uma foto sai do lado da máquina. O atendente a pega com a mão.
Panel 2:O atendente mostra a foto para Dona Marta. Ela sorri amplo, satisfeita. Atrás deles, a porta da papelaria abre novamente. Dois homens entram, ambos de meia-idade, carregando uma pilha de fotos impressas.
“Dona Marta: Perfeito! Agora só falta a moldura e o papel de presente.”
Panel 3:Os dois homens chegam ao balcão. Um deles coloca a pilha de fotos na superfície do balcão com força. O outro fica ao lado dele, cruzando os braços. Ambos têm expressões de desacordo.
“Homem 1: Essa foto mostra melhor o churrasco! Vê só a cor da carne?”
Panel 4:O Homem 2 pega uma foto diferente da pilha, levantando-a em frente ao Homem 1.
“Homem 2: Não! Essa aqui! A luz é melhor e meu pai aparece melhor!”
Panel 5:O atendente observa os dois homens brigando, com as mãos apoiadas no balcão. Sua expressão é paciente mas resignada. Dona Marta ao fundo escolhe uma moldura nas prateleiras.
“Atendente: Vocês são irmãos, né? Que tal deixar ele escolher?”
Panel 6:Os dois irmãos trocam olhares, ainda segurando as fotos. Ambos piscam, pensativos. Dona Marta volta ao balcão com uma moldura dourada.
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Panel 1:A porta abre novamente. Uma avó entra, caminhando devagar, segurando uma pequena nota escrita à mão em um papel amarelado. Ela veste um casaco de lã. Seu rosto é enrugado mas sorridente.
“Avó Maria: Moço, você plastifica um bilhete para mim?”
Panel 2:O atendente sorri para a avó. Dona Marta ao fundo observa enquanto o atendente coloca a moldura na máquina de impressão. Os dois irmãos ainda debatem qual foto usar.
“Atendente: Claro, Dona Maria. Deixa aqui comigo.”
Panel 3:A avó coloca o bilhete cuidadosamente sobre o balcão. O atendente o pega delicadamente e o leva até uma máquina de plastificação no canto do balcão. A avó observa cada movimento com atenção.
Panel 4:A máquina de plastificação zumba. O atendente insere o bilhete. A avó coloca as mãos sobre o balcão, esperando com expressão esperançosa.
“Avó Maria: Precisa ficar bonito. É para o meu filho. Dia dos Pais é importante.”
Panel 5:O bilhete sai da máquina de plastificação, agora protegido por uma camada de plástico brilhante. O atendente o entrega para a avó. Ela o pega com ambas as mãos, observando-o com reverência.
Panel 6:A avó sorri amplo, lágrimas nos olhos. Ela coloca o bilhete perto do peito. Atrás dela, a porta abre novamente e uma mãe entra com duas crianças pequenas.
“Avó Maria: Muito obrigada, querido. Fico tão feliz!”
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Panel 1:A mãe guia as duas crianças até a seção de canetas. Elas correm excitadas. Uma criança aponta para canetas metálicas brilhantes na prateleira. A outra criança também corre em sua direção.
“Criança 1: Mãe! Olha que caneta legal!”
Panel 2:As crianças pegam várias canetas metálicas da prateleira. Uma é rosa, outra é dourada, outra é azul-claro. Elas seguram várias na mão ao mesmo tempo, admirando o brilho.
“Criança 2: A minha é mais brilhante que a sua!”
Panel 3:A mãe observa as crianças com paciência exasperada, segurando uma pilha de xícaras brancas. O atendente continua seu trabalho no balcão. Os dois irmãos ainda debatem fotos. Dona Marta espera com a moldura.
“Mãe: Vocês só podem escolher uma cada uma, tá bom?”
Panel 4:As crianças colocam as canetas extras de volta na prateleira, mas cada uma segura uma caneta metálica escolhida. Criança 1 tem a rosa, Criança 2 tem a dourada. Ambas sorriem satisfeitas.
Panel 5:A mãe leva as crianças e as xícaras até o balcão. O atendente agora enfrenta uma fila: Dona Marta com moldura, os dois irmãos com fotos, a mãe com crianças e xícaras, e a avó Maria esperando para pagar.
“Atendente: Tá ficando cheio aqui! Mas vamos dar conta de todo mundo.”
Panel 6:Uma visão geral do balcão agora caótico. Objetos espalhados: molduras, canetas, xícaras, fotos, papel de presente, fita adesiva. Clientes em volta do balcão em diferentes posições. O atendente no centro, cercado de tudo, com expressão concentrada mas calma.
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Panel 1:O atendente pega o papel de presente de uma prateleira. É verde com padrão de ouro. Ele desdobra um pedaço sobre o balcão para medir.
Panel 2:A porta abre novamente. Um homem mais velho entra, procurando algo. Ele caminha direto para as molduras, observando cada uma com atenção. Seu rosto mostra preocupação.
“Sr. Paulo: Oi, moço. Preciso de uma moldura. Deixei para última hora.”
Panel 3:O atendente aponta para as molduras disponíveis. Sr. Paulo observa cada uma, tocando-as. Dona Marta ao fundo também escolhe uma moldura, mas Sr. Paulo vê que há poucas opções.
“Atendente: Essas aqui são as que temos. Escolhe rápido!”
Panel 4:Sr. Paulo pega uma moldura preta elegante. Ele a segura na frente dele, avaliando. Seu rosto mostra satisfação.
Panel 5:Sr. Paulo volta ao balcão, moldura em mão. O atendente está envolvido em embrulhar algo com papel de presente para a mãe. Há uma fila formada.
“Sr. Paulo: Pode ser essa. Quanto é?”
Panel 6:O atendente continua embrulhando. Sua expressão mostra concentração. Fita adesiva em uma mão, papel em outra. Sr. Paulo espera pacientemente. Os outros clientes também aguardam suas vezes.
“Atendente: Um minutinho, Sr. Paulo! Termino aqui e já cuido de você.”
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Panel 1:O atendente termina de embrulhar o presente para a mãe. Ele corta a fita adesiva com os dentes, fazendo uma careta cômica. A mãe observa, sorrindo.
Panel 2:O presente embrulhado é entregue à mãe. As crianças ao lado dela olham para o pacote com admiração. O atendente agora se vira para Sr. Paulo.
“Mãe: Obrigada! Ficou lindo!”
Panel 3:O atendente pega a moldura de Sr. Paulo e a coloca sobre o balcão. Ele procura por uma foto apropriada para a moldura, mas Sr. Paulo coloca uma foto sobre o balcão.
“Sr. Paulo: Já tenho a foto aqui. Só precisa encaixar.”
Panel 4:O atendente coloca a foto dentro da moldura com cuidado. A imagem mostra um homem mais velho sorrindo em um churrasco. Sr. Paulo observa cada movimento com atenção.
Panel 5:A moldura está pronta. O atendente a mostra para Sr. Paulo. Sr. Paulo sorri, assentindo com a cabeça. Ao fundo, os dois irmãos finalmente escolheram uma foto e Dona Marta está pagando.
“Sr. Paulo: Perfeito! Meu pai vai amar!”
Panel 6:O atendente agora trabalha rápido, ajudando vários clientes simultaneamente. Ele coloca a moldura de Sr. Paulo em um saco. Pega as fotos dos irmãos. Organiza a fita adesiva e papel de presente. Seu rosto mostra determinação.
“Atendente: Vamos lá, pessoal! Tá quase pronto!”
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Panel 1:A porta abre mais uma vez. Uma vizinha entra, procurando por algo específico. Ela caminha direto para a seção de fitas e laços. Seu rosto mostra urgência.
“Vizinha Rita: Oi! Vocês têm fita vermelha? Preciso para embrulhar!”
Panel 2:O atendente aponta para as fitas na prateleira. Há várias cores: vermelha, ouro, azul, verde. Vizinha Rita pega a vermelha e a examina. Seu rosto mostra satisfação.
“Atendente: Tem sim! Aquela ali. Quanto você quer?”
Panel 3:Vizinha Rita desdobra a fita vermelha sobre o balcão. O atendente já está envolvido em embrulhar o presente de Sr. Paulo. A fila continua formada. Todos esperam pacientemente.
“Vizinha Rita: Uns dois metros, por favor.”
Panel 4:O atendente corta a fita com uma tesoura. A fita vermelha se estende sobre o balcão. Ele a mede com os olhos, cortando-a no comprimento exato.
Panel 5:O atendente entrega a fita para Vizinha Rita. Ela a segura, dobrando-a cuidadosamente. Sua expressão mostra alívio.
“Vizinha Rita: Obrigada! Agora consigo terminar em casa!”
Panel 6:Vizinha Rita paga pelo item. O atendente coloca a fita em um pequeno saco de papel. Ao fundo, o balcão está menos cheio agora. Alguns clientes já saíram. O caos começa a diminuir.
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Panel 1:Dona Marta está saindo. Ela carrega uma sacola com a moldura, papel de presente e a foto impressa. Seu rosto mostra satisfação completa. Ela passa pela porta aberta.
“Dona Marta: Até logo! Obrigada de novo!”
Panel 2:Os dois irmãos finalmente deixam o balcão. Ambos carregam sacolas. Apesar da discussão anterior, eles caminham lado a lado, conversando calmamente. Suas expressões mostram paz.
“Homem 1: Ficou bom mesmo. Nosso pai vai adorar.”
Panel 3:Sr. Paulo sai carregando sua moldura em um saco. Ele acena para o atendente. Seu rosto mostra gratidão.
“Sr. Paulo: Valeu, moço! Você é um craque!”
Panel 4:A mãe e as duas crianças saem juntas. As crianças seguram suas canetas metálicas com orgulho. A mãe carrega os presentes embrulhados. Todas as três sorriem.
Panel 5:Avó Maria é a última a sair. Ela segura seu bilhete plastificado com reverência, como se fosse um tesouro. Sua expressão é de pura alegria. Ela acena para o atendente.
“Avó Maria: Muito obrigada, querido! Que Deus abençoe!”
Panel 6:O atendente fica sozinho no balcão. Ele observa a papelaria que está agora de volta ao seu estado anterior: organizado e limpo. Mas há sinais do caos: molduras em posições diferentes, alguns papéis de presente espalhados, fita adesiva no balcão. Ele sorri, respirando fundo.
“Atendente: Que quinta-feira... Mas valeu a pena.”
Narrator:“O balcão volta à calma. Mas não à solidão.”
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Panel 1:O atendente começa a organizar o balcão. Ele coloca as molduras de volta nas prateleiras. Guarda as canetas. Enrola o papel de presente. Seus movimentos são metodicamente calmos.
Panel 2:O atendente coloca a fita adesiva de volta em seu lugar. Ele observa o balcão agora limpo e organizado. Sua expressão mostra satisfação pessoal.
Panel 3:O atendente olha pela janela da papelaria. A rua está agora com mais movimento. Pessoas passam carregando sacolas com presentes. A tarde está começando. O frio ainda é visível.
Panel 4:O atendente se apoia no balcão, observando a rua. Seu rosto mostra contentamento. Ele pensa em todos os presentes sendo preparados em suas casas agora. Ele pensa nos pais recebendo presentes feitos com afeto.
Panel 5:A porta se abre mais uma vez. Mas desta vez, é apenas um casal de vizinhos que passa e acena para o atendente através da janela. Eles carregam seus próprios presentes prontos. O atendente acena de volta.
“Vizinho: Valeu mesmo, moço!”
Panel 6:O atendente volta a seu lugar atrás do balcão. A papelaria está limpa, organizada e pronta para o próximo dia. Mas a energia do caos afetuoso ainda flutua no ar. Ele sorri, ajustando o pote de canetas.
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Panel 1:Uma visão ampla da papelaria ao anoitecer. As luzes internas estão acesas. Através da janela, vê-se a rua do bairro com as primeiras sombras da noite. O atendente está dentro, organizando as últimas coisas.
Panel 2:Um close do rosto do atendente. Ele está sorrindo, refletindo sobre o dia. Seus olhos mostram satisfação genuína.
Panel 3:Uma série de pequenas cenas em flash-back dentro do painel: Dona Marta sorrindo com a foto impressa. Os irmãos rindo juntos. A avó com lágrimas de alegria. As crianças com suas canetas metálicas. Sr. Paulo satisfeito. Vizinha Rita aliviada.
Panel 4:O atendente desliga as luzes da papelaria. A loja fica escura, exceto pela luz da rua que entra pela janela.
Panel 5:O atendente sai da papelaria e fecha a porta. Ele segura as chaves na mão. Ele se vira para trás, observando a papelaria fechada.
Panel 6:O atendente caminha pela rua do bairro. Ele passa por casas com luzes acesas nas janelas. Imagina-se os presentes sendo entregues, os pais abrindo seus presentes, as famílias reunidas ao redor dos presentes. O atendente caminha com um sorriso sereno no rosto.
Narrator:“Em cada casa, um presente pronto. Em cada presente, um dia de trabalho afetuoso. Quinta-feira fria, balcão quente.”





